Bullying | A sistematização da violência

22 de janeiro de 2018

Você certamente já ouviu falar sobre Bullying, um problema real e preocupante, que assusta pais, alunos, professores, jovens e adultos de qualquer classe social. Costumamos acreditar que a forma como lidamos com esse problema é a mais correta, e que estamos fazendo exatamente o necessário para ajudar as vítimas. No entanto, nem sempre estamos certos sobre isso. Lidar com essa situação, assim como identificá-la, pode ser mais difícil do que imaginamos. Se quer saber mais sobre o assunto e como pode fazer para auxiliar aqueles que sofrem com esse problema, esse texto é para você.

O que é?

É o termo que utilizamos para definir um comportamento agressivo, de uma pessoa direcionado a outra, de forma repetitiva, com a intenção de intimidá-la. Também chamado de vitimização ou intimidação sistemática, o termo vem do inglês ‘bully’, que significa tirano, brigão ou valentão. Embora a expressão tenha surgido com esse significado nos anos 90, só passou a ser utilizada amplamente no final da década, e a frequência com que a utilizamos tem se tornado cada vez maior.

É comum encontrar dificuldades em entender o que exatamente podemos considerar como Bullying e como podemos identificá-lo em nosso convívio. É importante, primeiramente, saber diferenciar os tipos de intimidação que se enquadram nessa definição.  

Tipos 

  • Físico: o tipo mais evidente e, talvez por isso, mais facilmente identificável. Essa forma de agressão é caracterizada pelo uso da força e da violência física na prática da intimidação, utilizando-se de socos, pontapés, arranhões e empurrões, por exemplo.   Por vezes, cometemos o erro de acreditar que essa é a única ou principal forma de Bullying, por ser aquela em que muitas das consequências são físicas e visíveis.
  • Psicológico: quando falamos de xingamentos, chacotas, ameaças, perseguições e manipulação, estamos lidando com uma das formas mais comuns de Bullying, o psicológico. Por não transparecer consequências físicas, como hematomas e machucados, com certa frequência erramos ao ignorar esse tipo de agressão, tornando-a ainda mais difícil de identificar e corrigir.
  • Social: quando o objetivo do bully é isolar a vítima, seja por meio de boatos maldosos ou de planejar e promover sua exclusão de eventos que seriam de socialização em grupo, damos o nome de Bullying Social.
  • Cyber (Virtual): é possivelmente o termo que mais temos ouvido nos últimos anos. Isso porque, com a evolução da internet e das mídias sociais, ficou ainda mais fácil para o bully, que antes deveria ter medo das consequências, se esconder por trás de uma máscara enquanto navega na internet e ataca suas vítimas. Espalhar boatos, fotos constrangedoras, fazer chacota, ameaçar e xingar nas redes sociais são algumas das ações de quem comete esses atos de agressão.

O Bullying em números

Em 2016 o (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) IBGE divulgou dados alarmantes sobre o Bullying no Brasil. Segundo a pesquisa, 46,6% dos estudantes entrevistados afirmaram já ter sofrido Bullying, sendo que destes, 7,4% disseram já ter sido humilhados pelos colegas, principalmente por causa de sua aparência.

Ainda mais preocupante que os números de quem sofre essa intimidação, são os números de quem a pratica. De acordo com a mesma pesquisa, dois em cada dez alunos afirmam já ter direcionado algum tipo de ofensa contra um colega. Em geral, meninos são mais responsáveis pelo bullying que meninas: entre os 19,6% de estudantes que praticam, ou já praticaram, agressão sistemática, 24,2% são garotos e 15,6% são garotas.

Como identificar uma vítima de intimidação sistemática? Fique de olhos abertos

Seja você um pai, mãe, professor ou estudante, é importante saber quando o comportamento do jovem com quem convive pode ser um alerta para o fato dele(a) estar sofrendo algum tipo de bullying. Ao contrário do que muitos podem pensar, esse dificilmente é um problema que a vítima resolve sozinha, contando para um adulto, responsável, ou amigo. O fato é que: aquele que sofre a intimidação foi escolhido pelo bully principalmente por sua timidez, que dificulta com que ele(a) se abra e conte para os pais, colegas, ou professores sobre o ocorrido, facilitando a ação do agressor. Para que a vítima de bullying possa ser ajudada, ela deve poder contar sempre com a escola, com os pais e também com os colegas para observar o que acontece a sua volta.

O que precisa ser observado pelos pais

  • mudança de humor em casa
  • isolamento familiar e escolar
  • falta de vontade ou recusa em ir pra escola
  • aumento na frequência de faltas
  • hematomas frequentes
  • distanciamento dos amigos
  • falta de amigos
  • piora no desempenho escolar

O que precisa ser observado pelo colega

  • isolamento nos eventos escolares
  • boatos
  • hematomas
  • afastamento dos amigos
  • brigas frequentes entre os colegas

O que precisa ser observado na escola

  • aumento na frequência de faltas
  • isolamento escolar (deixa de participar de eventos promovidos pelo colégio)
  • hematomas frequentes
  • distanciamento dos amigos
  • aluno sempre deprimido
  • piora no desempenho escolar

O que é importante

Para os pais: saber como seu filho se comporta na escola e seu comportamento dentro de casa, bem como participar ativamente da sua formação, participando de reuniões de pais e acompanhando a rotina de estudos do filho são hábitos fundamentais que a família deve nutrir cotidianamente. Além disso, os pais que ensinam respeito ao próximo e se abrem para o diálogo com os filhos, tem mais chances de se tornar uma pessoa de confiança em sua vida. Uma família que conversa sobre esses assuntos não faz parte das estatísticas.

Para o jovem: perceba as mudanças de humor e hábitos dos seus colegas mais próximos e converse sempre com ele sobre isso. Isso ajuda a identificar não somente aqueles amigos que sofrem Bullying, mas também os que praticam. Mesmo não sendo proposital, seu comportamento ou de um amigo pode ser muito nocivo. Coloque-se no lugar do outro para tentar entender como você se sentiria se estivesse em seu lugar.  

Para a escola: a relação professor/aluno é essencial para que a vítima sinta-se confortável para denunciar qualquer tipo de agressão. Embora não seja justo atribuir aos professores e a escola toda a responsabilidade de lidar com essas situações, é importante que o colégio mantenha um canal de diálogo aberto entre alunos, pais e professores, para que o problema possa ser corrigido em conjunto, de forma imediata em sem grandes consequências.   

 

fonte: Pesquisa Nacional de Saúde Escolar – PeNSE (2015) – IBGE




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